Pular para o conteúdo principal

10 mandamentos da "Escola do mundo ao avesso"- Eduardo Galeano


Esta é mais uma da série de postagens sobre a obra: "De pernas pro ar", de Eduardo Galeano (1940-2015). Esta postagem é uma forma de homenagear esse cidadão do mundo, que através de seus escritos conscientiza e alerta da pilhagem feita pelas grandes potências, principalmente em relação a nós latino-americanos. 

Breve sinopse do livro:“Esse livro é uma patada em cima da outra”. Em “De Pernas Pro Ar”, Galeano exerce todo seu conhecimento da cultura e política da América Latina sob o olhar atento de alguém que, desde 1971, com “As veias abertas da América Latina” vem criticando a exploração de nossa sociedade pelo assim por Deleuze chamado de Capitalismo Mundial Instituído.
O mundo ao avesso é um mundo trágico, onde tudo acontece, um mundo onde não há resistência e sim apenas conformidade e visões distorcidas, em outras palavras, a escola do mundo ao avesso é a "contra escola existente".
"O mundo ao avesso gratifica o avesso: despreza a honestidade, castiga o trabalho, recompensa a falta de escrúpulos e alimenta o canibalismo. Seus mestres caluniam a natureza: a injustiça, dizem, é lei natural"

[...] A escola do mundo ao avesso é a mais democrática das instituições educativas. Não requer exame de admissão, não cobra matrícula [...] na escola do mundo ao avesso o chumbo aprende a flutuar e a cortiça a afundar, as cobras aprendem a voar e as nuvens a se arrastar pelos caminhos.

OS 10 MANDAMENTOS DA ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO

O mundo ao avesso despreza a honestidade e recompensa a falta de escrúpulos, alimentando uma espécie de "canibalismo". 

No mundo ao avesso, as injustiças e a miséria é considerada sendo um fenômeno natural. Nesta ideia, a natureza recompensaria então os mais aptos e castigaria os mais fracos.

No mundo ao avesso, a conduta assassina (desvio da conduta social) passam a ser uma das virtudes do comportamento humano. Na escola do mundo ao avesso, as probabilidades de que um banqueiro desfrutar a vontade os frutos de seus golpes é tão proporcional do que um ladrão que rouba um banco ir para a prisão ou pra algum cemitério.

Em um mundo ao avesso os verdadeiros bandidos possuem a chave da prisão, esses são ferozes violadores da natureza e dos direitos dos seres humanos.

No mundo ao avesso, os bancos mais influentes são os que mais armas fabricam e os que mais vendem e financiam o terror bélico a outros países.

No mundo as avesso, as indústrias bem mais sucedidas são as quem mais envenenam o planeta e fazem da "salvação " do planeta o mais lucrativo negócio.

No mundo ao avesso, caminhar é um grande perigo e respirar é uma grande façanha das grandes cidades.

Em um mundo ao avesso, o próximo é sempre visto com ameaça, estamos condenados a morre de fome, de medo ou de tédio.

Em um mundo ao avesso, os indivíduos são levados ao conformismo, "a ordem é: padecer da realidade ao invés de transformá-la.

10º Em um mundo ao avesso, quando um delinquente morre por alguma dívida não paga, chamam isso de "acerto de contas", já quando a tecnologia internacional resolve liquidar a conta de um país endividado, chama isso de plano de ajuste.


Eis alguns das dezenas de mandamentos que configuram o cenário de um mundo ao avesso. Compartilhe esta verdade. 









Texto: Fernanda E. Mattos, autora e colunista do Blog Um quê de Marx.
É permitido o compartilhamento desta publicação e até mesmo a edição da mesma. Sem fins lucrativos e cite a fonte. Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CHARGE: A indústria e a alienação do trabalho

A indústria e a alienação do trabalho A charge de Caulos, de 1976, apresenta uma crítica bem humorada ao processo de alienação do trabalho sofrido pelos operários nas fábricas. Fonte original: Caulos. Só dói quando eu respeiro. Porto Alegre: L&PM, 1976.p. 65. Digitalização: Fernanda E. Mattos, autora e colunista do blog Um quê de Marx. É permitido o compartilhamento desta publicação e até mesmo a edição da mesma. Sem fins lucrativos e cite a fonte. Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional .

''A ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO'' - De pernas pro ar, Eduardo Galeano + Download livro em PDF

''O MUNDO AO AVESSO'' Eduardo Hughes Galeano (Montevidéu, 3 de setembro de 1940) é um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. “Esse livro é uma patada em cima da outra”. E m “De Pernas Pro Ar”, Galeano exerce todo seu conhecimento da cultura e política da América Latina sob o olhar atento de alguém que, desde 1971, com “As veias abertas da América Latina” vem criticando a exploração de nossa sociedade pelo assim por Deleuze chamado de Capitalismo Mundial Instituído. O mundo ao avesso é um mundo trágico, onde tudo acontece, um mundo onde não há resistência e sim apenas conformidade e visões distorcidas, em outras palavras, a escola do mundo ao avesso é a "contra escola existente". "O mundo ao avesso gratifica o avesso: despreza a honestidade, ...

VISÕES E VERSÕES: ''Fundação do Papai Noel"- A Coca-Cola e a versão de Rabdon Sunblom

VERSÕES   Por que 25 de dezembro? Conforme Funari, o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com o pesquisador, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno (o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro) porque os dias iriam começar a ficar mais longos. "É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza", diz o professor. Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que após o dia mais curto do ano o sol volta a aparecer mais. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século IV, quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião. Os religiosos então usam a comemoração pagã e a revestem com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquis...