O primeiro deles é que
a independência foi um fato isolado, um acontecimento heróico, que teve na
liderança de Dom Pedro a razão principal de sua existência. Muitos se esquecem
de localizar a independência do Brasil como mais um capítulo da crise do Antigo
Regime europeu e do antigo sistema colonial. Muitos países latinos americanos
já haviam obtido a independência naqueles tempos. Além disso, desde o século
XVIII, ocorriam diversas revoltas contra a metrópole portuguesa no Brasil, como
a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, que colocavam em xeque o poderio
português na sua colônia americana.
O segundo mito sobre a
independência brasileira é o de que ela teria alterado muitas das
características políticas, econômicas e sociais existentes na época. Isso não é
verdade. A independência serviu para consolidar o modelo monárquico, no qual o
chefe de estado e de governo era o filho do rei português. Além disso,
consolidou um modelo agroexportador, baseado na mão de obra escrava negra, que
resultava numa sociedade desigual, altamente concentradora de riquezas.
O terceiro mito é o de
que não houve nenhuma participação popular no processo de independência. Isso
também não é verdade. Houve guerras sim, em várias partes do país. Em
províncias distantes do centro sul do Brasil, como Bahia, Cisplatina, Grão-Pará
e Maranhão, os conflitos foram intensos e houve muitas mortes, devido ao fato
de o governo português se envolver diretamente no conflito ou contratar
mercenários para realizar as guerras em seu nome.
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Texto síntese: Fernanda E. Mattos,
autora e colunista do Blog Um quê de Marx.
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