Pular para o conteúdo principal

NOVIDADE: TEXTOS NA ÍNTEGRA- O trabalho da mulher na fábrica, 1899 V. I. Lenin

O Blog Um quê de Marx tem uma novidade para vocês leitores! De forma periódica postaremos alguns textos na íntegra, que possivelmente não são encontrados ainda para download na web. Hoje a estréia é com texto de V. I. Lenin "O trabalho da mulher na fábrica, 1899", texto retirado do livro A mulher e a luta pelo socialismo, editora Sudermann, 2012. 



O TRABALHO DA MULHER NA FÁBRICA SEGUNDA PARTE V. I. LENIN: O desenvolvimento do capitalismo na Rússia 1899

Em relação à transformação que a fábrica operou nas condições de vida da população, deve-se observar que a incorporação, de mulheres e adolescentes à produção[1] é, no fundo, um fenômeno progressivo. Não há dúvida de que a fábrica capitalista põe essas categorias da população operária numa situação particularmente difícil; não há dúvida de que a estas, mais do às outras, é necessário reduzir e regular a jornada de trabalho, assegurar condições higiênicas de trabalho etc., mas a tendência a proibir por completo o trabalho das mulheres e adolescentes na indústria ou manter o regime parcial, que não admita esse trabalho, seria reacionária e utópica. Destruindo o isolamento patriarcal dessas categorias da população que anteriormente não saíam dos estreitos limites das relações familiares e domésticas; atraindo-as à participação direta na produção social, a grande indústria mecanizada acelera seu desenvolvimento, amplia sua independência, isto é, cria condições de vida infinitamente superiores à imobilidade patriarcal das relações pré-capitalistas.

[nota de rodapé de Lenin]:

“a pobre tecelã segue o seu pai e o marido para a fábrica, trabalha a seu lado independentemente deles. Sustenta sua família do mesmo modo que um homem.” Na fábrica (...) a mulher é um produtor absolutamente independente, da mesma forma que o marido.” “Entre operárias da   fábrica, a instrução se difunde rapidamente.” (As indústrias do município de Vladmir, III, págs. 113, 118, 112 e outras). A conclusão seguinte do Sr. Kharizomenov é inteiramente justa: a indústria põe fim “a dependência econômica da mulher no âmbito da família (...)” “Na fábrica a mulher se torna igual ao homem: é a igualdade do proletário (...) A indústria capitalista tem um papel importante na luta da mulher por sua independência da família”.  “A indústria cria para a mulher uma nova situação, completamente independente da família e do marido” (O mensageiro jurídico, 1883, nº12, págs. 582-586). Na coletânea de informações estatísticas da província de Moscou (vol. VII. Moscou, 1882, págs. 138-139 e 152) os informantes comparavam a situação da operária na fábrica manual e na fabricação mecânica de meias. No trabalho a mão, o salário é de cerca de 8 copeques por dia; no trabalho a máquina, de 14 a 30. A situação da operária na fabricação a maquina é descrita da seguinte maneira: emancipada da família e de tudo aquilo que caracteriza as condições de existência camponesa, uma jovem pode, em qualquer momento, mudar de lugar e de patrão, e que pode, em qualquer momento, ficar sem trabalho (...) sem pedaço de pão (...) Na produção manual, a mulher que trabalha nas malhas tem salário mesquinho, que basta para cobrir as despesas de sua comida, a menos que ela pertença a uma família da fazenda, com um nadel (lote de terra comum) e se beneficie, em parte, dos produtos dessa terra; na produção mecanizada, a operária, além da comida e do chá, tem um salário que lhe até permite (...) viver fora da família sem recorrer às entradas que a família retira da terra (...) Ao mesmo tempo nas condições atuais a retribuição da operária na indústria mecanizada é mais segura.”








[1] Segundo o índice, as fábricas da Rússia europeia empregavam em 1830 875.764 operárias, dos quais 210.207 mulheres (24%); 17.793 rapazes (2%) e 8.216 moças (1%). (N. do A.)





Gostou do texto? Você pode fazer download na versão em PDF, clique no link abaixo.
Texto na íntegra- ''O trabalho da mulher na fábrica'' V. I. Lenin 1899 -Editora Suderman from Um quê de Marx BLOG



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CHARGE: A indústria e a alienação do trabalho

A indústria e a alienação do trabalho A charge de Caulos, de 1976, apresenta uma crítica bem humorada ao processo de alienação do trabalho sofrido pelos operários nas fábricas. Fonte original: Caulos. Só dói quando eu respeiro. Porto Alegre: L&PM, 1976.p. 65. Digitalização: Fernanda E. Mattos, autora e colunista do blog Um quê de Marx. É permitido o compartilhamento desta publicação e até mesmo a edição da mesma. Sem fins lucrativos e cite a fonte. Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional .

''A ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO'' - De pernas pro ar, Eduardo Galeano + Download livro em PDF

''O MUNDO AO AVESSO'' Eduardo Hughes Galeano (Montevidéu, 3 de setembro de 1940) é um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. “Esse livro é uma patada em cima da outra”. E m “De Pernas Pro Ar”, Galeano exerce todo seu conhecimento da cultura e política da América Latina sob o olhar atento de alguém que, desde 1971, com “As veias abertas da América Latina” vem criticando a exploração de nossa sociedade pelo assim por Deleuze chamado de Capitalismo Mundial Instituído. O mundo ao avesso é um mundo trágico, onde tudo acontece, um mundo onde não há resistência e sim apenas conformidade e visões distorcidas, em outras palavras, a escola do mundo ao avesso é a "contra escola existente". "O mundo ao avesso gratifica o avesso: despreza a honestidade, ...

VISÕES E VERSÕES: ''Fundação do Papai Noel"- A Coca-Cola e a versão de Rabdon Sunblom

VERSÕES   Por que 25 de dezembro? Conforme Funari, o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com o pesquisador, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno (o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro) porque os dias iriam começar a ficar mais longos. "É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza", diz o professor. Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que após o dia mais curto do ano o sol volta a aparecer mais. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século IV, quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião. Os religiosos então usam a comemoração pagã e a revestem com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquis...