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A mídia fala na existência de uma nova classe média, mas será mesmo? "A metamorfose da estrutura social brasileira"

Poderíamos falar que o Brasil possui uma nova classe, assim denominada como classe média?

Segundo Lenin, as classes sociais são: "Grandes grupos de homens que se diferenciam entre si pelo lugar que ocupam em um sistema de produção social historicamente determinado, pelas relações em que se encontram em relação aos meios de produção (relações em grande parte estabelecidas e formuladas nas leis), pelo papel que desempenham na organização social do trabalho e, consequentemente, pelo modo e a proporção em que recebem a parte da riqueza social de que dispõem. As classes são grupos humanos, um dos quais pode se apropriar do trabalho do outro por ocupar postos diferentes em um regime determinado de economia social".

"Em síntese: entende-se que não se trata da emergência de uma nova classe muito menos de uma classe média".*
Não há uma nova classe e sim a estrutura social está em mudanças, em "metamorfose" assim denominado pelo geógrafo Marcio Pochmann em seu livro "Nova classe média?". E essa metamorfose é precisa ser analisada em vários aspectos, pela renda e consumo.

Então se não há uma nova classe, o que explica os discursos sobre ascensão de uma nova classe?


O nível de consumo aumentou, segundo estudos a partir de 2000, junto com apoio de políticas de apoio à rendas, fortalecimento do mercado de trabalho e esses fatos contribuíram para o fortalecimento das classes populares assentadas no trabalho. Não surgiu uma nova classe, o que acontece é o aumento da renda e consequentemente atua no aumento do consumo. Associam-se, sim, às características gerais das classes populares, que por elevar o rendimento, ampliam imediatamente no padrão de consumo. [...] o trabalhador não poupa, e sim gasta tudo o que ganha.
O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média.

Houve então uma renovação na base da pirâmide social!

A análise desta evolução (renovação) deve ser analisada com mais detalhes e aprofundamento, a qui se faz uma breve (e grosseira) reflexão dos dados.
Não há o surgimento de uma nova classe, a análise se faz em três momentos: 1960, 1981, a partir de 2003. 
Em ordem, se tem crescimento da renda per capita, a partir da década de 1981 há declínio de condições favoráveis ao trabalhador e vemos que a partir de 2003 houve mudanças na renda, em consequência no consumo.

Dados para compreensão.





Uma considerável fala do Frei Beto, nos ajuda a refletir sobre "a inserção do trabalhador" no acesso aos bens de consumo (fazendo-nos confundir o nível de renda e consumo com a hierarquia das classes: média, baixa, alta, A, B, C etc). 


FREI BETTO: "O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas chegarem aos bens pessoais. Aqui, não. Você vai a uma favela e as pessoas têm TV a cores, fogão, geladeira, microondas (graças à desoneração da linha branca), celular, computador e até um carrinho no pé do morro, mas estão morando na favela, não têm saneamento, educação de qualidade" (Frei Beto, via Diário do Centro do Mundo).





Lembrando que aqui, não se tem intensão de defender ou criticar o governo ou o partido do mesmo, e sim por em debate a questão do impulso do consumo relacionado as supostas afirmações de que ''surgem novas classes''.







* Trecho retirado do texto original|Tabelas retidas do texto original|Texto original: ''Nova classe média''?- Marcio Pochmann. Texto síntese: Fernanda E. Mattos, autora e colunista do Blog Um quê de Marx. 
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