Devido a outras postagens acerca da obra "A questão judaica", achei necessário dar destaque a uma questão digamos um tanto quanto ''polêmica'' envolvendo a questão "errônea" de que muitos agregam sobre Marx o pré-conceito de ser um "antissemita". Vamos aqui através desta postagem desmitificar essa confusão (ou seria oportunismo) por parte de alguns intelectuais que de forma desconexa acusa Marx de ser anti-semita.
O QUE VEM A SER O ANTISSEMITISMO?
Façamos aqui um breve esclarecimento.
O problema do
antissemitismo foi historicamente construído ao longo de séculos. Para alguns,
as origens da aversão aos judeus está assentada na questão das diferenças
religiosas que foram estabelecidas entre judeus e cristãos na Antiguidade.
Mesmo antes disso, os judeus já eram perseguidos pelas autoridades do Império
Romano. A expressa recusa judaica em incorporar alguns elementos da cultura
romana impôs o desenvolvimento de uma relação marcada por vários conflitos.
''MARX UM ANTI-SEMITA''?
Aproveitando a fala de nosso companheiro de Blog, Helio (Sociedade, Poder e Direito na Contramão) vamos
refletir sobre essa possível afirmação errônea acerca das ideias de Marx.
"Alguns detratores de Marx utilizavam trechos
descontextualizados do livro “A Questão Judaica” para acusá-lo de antissemita e
aproximá-lo do nazismo. Valendo-se do senso-comum, boa-fé e até da falta de um
mínimo de leitura e debate do livro, tornava-se “fácil” para os caluniadores
associar o falso antissemitismo com o “nacional socialismo de Hitler”, bastava
juntar trechos isolados, descontextualizados com a nomenclatura do partido dos
nazi".
A partir dessa contribuição de nosso parceiro, partimos ao objetivo desta postagem.
OS JUDEUS, O ESTADO E A EMANCIPAÇÃO
Em contramão do que afirmam alguns intelectuais e até mesmo leigos, assim por dizer, Marx não é um anti-semita, pelo contrário ele defende a emancipação dos Judeus sem que os mesmos tenham que abdicar de sua religião. O que propõe Marx é a emancipação do Estado perante a religião, somente um Estado emancipado poderia oferecer a emancipação política e civil para o indivíduo.
Cito:"Ora, aqueles que pretendem ver o "antissemitismo" em Para a questão judaica ignoram e/ou ocultam essas determinações essenciais e se prendem à consideração isolada e descontextualizada da qualificação do judaísmo como o culto do dinheiro" [...] p. 28 (Prefácio por João Paulo Netto em Para a questão judaica).
Nestas afirmações desconexas do antissemitismo de Marx, afirmaria o oposto, Bruno Bauer sim apresentaria "sintomas de uma postura anti-semita", exigindo que o Judeu abdique do judaísmo para que seja civicamente emancipado (Marx fala sobre esta questão na página 44), nas palavras do autor: "O vosso erro era apenas o de que propúnheis o Estado cristão como unicamente verdadeiro e de que não o submeteis à mesma crítica com que considerais o judaísmo".
E PARA (NÃO)CONCLUIR
É importante ter a compreensão de que o Estado alemão professa o cristianismo e que o judeu encontra-se em oposição a esta situação. Não se trata de um Marx anti-semita, se trata de afirmações e interpretações errôneas e oportunistas a cerca desta obra.
Em postagens futuras discutiremos mais a fundo o que vem a ser a emancipação política e humana e entre outros conceitos bases para a compreensão da obra "Para a questão judaica".
MAIS SOBRE O ASSUNTO: RESUMO SOBRE PARA A QUESTÃO JUDAICA, para acessar clique aqui.
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Postagem baseada na obra: Para a questão judaica- Karl Marx- Editora Expressão Popular. Texto: Blog um que de Marx.



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