Pular para o conteúdo principal

"UTOPIA DA PAZ: "A maldição da Terra Santa''



É uma tremenda de uma utopia falar-se em paz naquele pedacinho de mundo onde situa-se Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, região historicamente disputada por etnias movidas por interesses não só políticos e econômicos, mas também religiosos. Os judeus requerem o espaço que teria sido prometido a eles por seu deus. Segundo a narrativa bíblica do Gênesis, Jeová mandou que Abrahão e sua família deixassem o lugar onde viviam e fossem para Canaã, prometendo aquelas terras a ele e a toda sua geração. De fato, os principais historiadores consideram como verídica a migração dos hebreus (que eram um povo nômade), da Mesopotâmia para o vale do rio Jordão, local onde sempre tiveram muita dificuldade para se assentar, tendo parte deles rumado para o Egito, onde foram escravizados (episódio também descrito pela Bíblia).
Os hebreus esperam pelo messias, que seria o restaurador, o líder político e religioso máximo, que lhes restituirá a terra prometida e reinará soberano como apenas Davi o fez em toda a história de Israel. Nos tempos do rei Davi houve prosperidade e autonomia para o povo judeu, naquelas terras. Após o passamento do rei guerreiro, foram vários os cativeiros e intervenções externas. Diásporas de um povo que se dispersou pelo mundo, mas que ainda aguarda a "restauração" ou "legitimação" da posse da Terra Santa.
Quando iniciou-se o movimento sionista, no fim do século XIX, a região estava ocupada por árabes. Ocupada, apenas. Não se pode falar precisamente de reconhecimento, de soberania. É como se ali fosse uma terra devoluta, cuja posse é reivindicada por grupos, seja pelo fato de já a estarem ocupando por algum tempo, seja por "direito divino".
Essa "autonomia" e reconhecimento internacional só veio em 1947/1948 quando de forma praticamente unilateral Israel foi reconhecido como Estado pelas Nações Unidas. Os árabes palestinos nunca se conformaram com a configuração dos limites, e diante das diversas batalhas sangrentas que se sucederam nas décadas seguintes, foram recuando até serem "entricheirados" na Faixa de Gaza. 
Com a chegada ao poder do grupo radical Hamas, toda e qualquer possibilidade de conversa acaba sendo diminuída. Não há possibilidade de paz onde o interesse é, além de político, religioso. Israel exagera na ofensiva, mas o Hamas também tem responsabilidade nas ações violentas. Como resolver o problema? A divisão das terras já foi proposta, e inclusive acordos assinados, mas nunca cumpridos. O vale fértil do rio Jordão pesa na balança. Quem vai ficar com ele, e quem vai ficar com o deserto? Onde está o messias? E o deus que mandou o Habrahão migrar para Canaã sem providenciar a retirada do local dos cananeus? Questão difícil. Tenho muitas perguntas, e nenhuma resposta.


O MOVIMENTO DA HISTÓRIA (não é a história que se movimenta, e sim o homem que a determina).


Esta mapa em xilogravura, de 1585, mostra a Terra Santa tal como teria sido na época de Jesus, dividida em Galileia, Samaria e Judeia. O mapa apareceu no Itinerarium Sacrae Scripturae (Livro de viagens através da Sagrada Escritura), de Heinrich Bunting (1545-1606).


















Texto de: João Paulo da Cunha, colaborador do blog um quê de Marx, formado em História pela FEUC, Faculdade Euclides da Cunha de São José do Rio Pardo e atualmente estudante de Direito na UNIP, Universidade Paulista.Mapa em xilogravura retirado do site Brasil Acadêmico, clique aqui e acesse



É permitido o compartilhamento desta publicação e até mesmo a edição da mesma. Sem fins lucrativos e cite a fonte. Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Licença Creative Commons


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

''A ESCOLA DO MUNDO AO AVESSO'' - De pernas pro ar, Eduardo Galeano + Download livro em PDF

''O MUNDO AO AVESSO'' Eduardo Hughes Galeano (Montevidéu, 3 de setembro de 1940) é um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. “Esse livro é uma patada em cima da outra”. E m “De Pernas Pro Ar”, Galeano exerce todo seu conhecimento da cultura e política da América Latina sob o olhar atento de alguém que, desde 1971, com “As veias abertas da América Latina” vem criticando a exploração de nossa sociedade pelo assim por Deleuze chamado de Capitalismo Mundial Instituído. O mundo ao avesso é um mundo trágico, onde tudo acontece, um mundo onde não há resistência e sim apenas conformidade e visões distorcidas, em outras palavras, a escola do mundo ao avesso é a "contra escola existente". "O mundo ao avesso gratifica o avesso: despreza a honestidade, ...

VISÕES E VERSÕES: ''Fundação do Papai Noel"- A Coca-Cola e a versão de Rabdon Sunblom

VERSÕES   Por que 25 de dezembro? Conforme Funari, o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com o pesquisador, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno (o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro) porque os dias iriam começar a ficar mais longos. "É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza", diz o professor. Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que após o dia mais curto do ano o sol volta a aparecer mais. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século IV, quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião. Os religiosos então usam a comemoração pagã e a revestem com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquis...

CHARGE: A indústria e a alienação do trabalho

A indústria e a alienação do trabalho A charge de Caulos, de 1976, apresenta uma crítica bem humorada ao processo de alienação do trabalho sofrido pelos operários nas fábricas. Fonte original: Caulos. Só dói quando eu respeiro. Porto Alegre: L&PM, 1976.p. 65. Digitalização: Fernanda E. Mattos, autora e colunista do blog Um quê de Marx. É permitido o compartilhamento desta publicação e até mesmo a edição da mesma. Sem fins lucrativos e cite a fonte. Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional .